"Mulher-Cão", por Paula Rego

"Mulher-Cão", por Paula Rego

A mulher das cavernas...

Havia um ser selvagem
Nos confins do mundo
Registrei-a numa imagem
De um ambiente profundo...


Caçava para comer
E passeava todo o dia
Pescava para sobreviver
E nadava na água fria....

Vivia só entre os animais
E tinha uma caverna
Era forte e bela demais
Pobre, pura e terna...



Era a Mulher da Caverna...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

35 ANOS

35 anos para ser feliz


Martha Medeiros


Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.

A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.

Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.

Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.

Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.

Outubro de 1998

DESPEDIDA (semana martha)

Existem duas dores de amor:
A primeira é quando a relação termina e a gente,
seguindo amando, tem que se acostumar com a ausência do outro,
com a sensação de perda, de rejeição e com a falta de perspectiva,
já que ainda estamos tão embrulhados na dor
que não conseguimos ver luz no fim do túnel.

A segunda dor é quando começamos a vislumbrar a luz no fim do túnel.

A mais dilacerante é a dor física da falta de beijos e abraços,
a dor de virar desimportante para o ser amado.
Mas, quando esta dor passa, começamos um outro ritual de despedida:
a dor de abandonar o amor que sentíamos.
A dor de esvaziar o coração, de remover a saudade, de ficar livre,
sem sentimento especial por aquela pessoa. Dói também…

Na verdade, ficamos apegados ao amor tanto quanto à pessoa que o gerou.
Muitas pessoas reclamam por não conseguir se desprender de alguém.
É que, sem se darem conta, não querem se desprender.
Aquele amor, mesmo não retribuído, tornou-se um souvenir,
lembrança de uma época bonita que foi vivida…
Passou a ser um bem de valor inestimável, é uma sensação à qual
a gente se apega. Faz parte de nós.
Queremos, logicamente, voltar a ser alegres e disponíveis,
mas para isso é preciso abrir mão de algo que nos foi caro por muito tempo,
que de certa maneira entranhou-se na gente,
e que só com muito esforço é possível alforriar.

É uma dor mais amena, quase imperceptível.
Talvez, por isso, costuma durar mais do que a ‘dor-de-cotovelo’
propriamente dita. É uma dor que nos confunde.
Parece ser aquela mesma dor primeira, mas já é outra. A pessoa que nos
deixou já não nos interessa mais, mas interessa o amor que sentíamos por
ela, aquele amor que nos justificava como seres humanos,
que nos colocava dentro das estatísticas: “Eu amo, logo existo”.

Despedir-se de um amor é despedir-se de si mesmo.
É o arremate de uma história que terminou,
externamente, sem nossa concordância,
mas que precisa também sair de dentro da gente…
E só então a gente poderá amar, de novo.

Martha Medeiros

Saudade eu tenho do que não nos coube. Lamento apenas o desconhecimento daquilo que não deu tempo de repartir, você não saboreou meu suor, eu não lhe provei as lágrimas. É no líquido que somos desvendados. No gosto das coisas o amor se reconhece. O meu pior e o seu melhor, ficaram sem ser apresentados.

Martha Medeiros.

(Cartas Extraviadas)

…Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando á pé pra casa, avariada.
Eu sei,não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Telvez este seja o ponto. Talvez eu Não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu patio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória,sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.
Não era amor,era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. NÃO ERA AMOR, ERA MELHOR”

Martha Medeiros em Divã

A DOR QUE DÓI MAIS (semana martha)

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Dóem essas saudades todas.

Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua pintando o cabelo de vermelho. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango assado, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua preferindo Pepsi, se ela continua sorrindo, se ele continua dançando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer. É não querer saber se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Martha Medeiros

domingo, 19 de setembro de 2010

nao creio...

sempre cabreira c bancos
guardo extrato de debito ate ver extrato fisico
guardo folheto de credito ate ver fatura
somo na calculadora p ver se bate com o extrato
nunca erraram
nunca
sao 20 anos de banco...

tava aposentando as chuteiras
c a mania de perseguiçao

ate que...

FODEU

saquei hj no terminal do bb
nao veio nada
ficou contando cedulas 5 min
e deu saque nao realizado-problema na contagem d cedulas

ok

parou barulho

fui no do lado

saquei

ao sair da agencia

dei meia volta

ultimos dos resquicios de uma toc para contas...
volto e imprimo o extrato

BINGO

2 SAQUES CONTABILIZADOS

MERDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA


vou perder pro bb entao????

deu como saque no extrato!!! apesar de nao ter tirado o dinheiro
apesar de ter dado no terminal
saque nao realizado
apesar de ter dado problema na contagem...

APESAR DA MINHA PARANOIA ESTAR QUASE ACABANDO


merda

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Não sei porquê...

mas nao gosto de modismos
sempre q ha 1 filme, 1 trilogia, algo "inimaginavelmente bom, maravilhoso, que ta todo mundo vendo" no cinema, etc
pode apostar q nao vi

assim foi guerra nas estrelas
nem sei o que é direito (ate pq minha infancia se deu no nadir da fama da serie)

assim foi com senhor dos aneis, harry potter...

nem livro li
e nao kero ler

nao gosto de "unanimidades"

nao é p ser do contra

nao sei bem porque é assim

me da preguiça do comum
do obvio

nao kero decepcionar a "opiniao publica"(hehhe)

sabe quando vc ta aprendendo a dirigir e tem de passar entre 2 reparos por 1 vão estreito e parece q vai direto em cima deles justamente por nao ver o todo e se ater aos obstaculos?

é assim que me sinto ao ver "sucessos" de publico e critica
certamente nao gostarei tanto
terei 1 opiniao diferente, oposta até...

entao, nao foi diferente com a onda dos "vampiros"
lua cheia, lua nova, crepusculo, sei la mais eu o q

COISA MAIS CHATA

akele bando de adolescente pseudo-emo
gritando, nas filas das pre-estreias desde cedo da manha

lanchonete c fotos

brindes

roupas
os atores despontando

akeles guris c cara de mulher

nossa

insuportavel

e tenho certeza (eu tenho) que os vampirescos hollywoodianos foram influenciadores da grotesca e satanica morte da menina no pará...

e agora sei que gosto menos ainda de vampiros, pulseirinhas coloridas, cortes de cabelo "linha de montagem"... inferno isso



Garota foi morta por jovens “vampiros”

Edição de 18/08/2010



Quarteto detido faz revelações macabras sobre crime em cemitério.

Quatro pessoas foram detidas ontem acusadas do assassinato de uma adolescente em ritual macabro no cemitério do Bengui, em Belém, há cerca de um mês. Policiais civis da Divisão de Homicídios e da Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) detiveram Ezequiel Abreu Calado, 19 anos, conhecido como "Bloody" (Sanguinário); sua namorada Nancy Danielly da Silva Amorim, de 19 anos; um adolescente de 15 anos e uma de 16. Os quatro faziam parte de um grupo gótico e, segundo a polícia, ao que tudo indica, assassinaram uma adolescente homossexual para um ritual de "vampirismo", que incluiu agressões com uma cruz, mordida no braço da vítima e tentativa de beber o sangue dela.

Nas primeiras horas da tarde de ontem, policiais foram aos bairros do Bengui e de Nazaré para realizar as prisões. Ezequiel, líder do grupo gótico "Dark", e os adolescentes foram detidos, cada um na sua própria casa, no loteamento Jardim Alvorada. No mesmo momento, por volta das 15 horas, Nancy foi presa em um colégio particular na avenida Alcindo Cacela, no bairro de Nazaré. Todos foram levados à Delegacia Geral. Lá, Ezequiel e Nancy foram ouvidos pelos delegados Eduardo Rollo e Adelino Souza, da Divisão de Homicídios, já na condição de indiciados, e colocados à disposição do Sistema Penitenciário. Os dois já haviam prestado depoimento na Delegacia do Bengui, poucos dias após o crime, ocorrido no dia 20 de julho. Da Delegacia Geral, os adolescentes foram encaminhados à Data, onde foram ouvidos pela delegada diretora da divisão, Socorro Maciel, e também pela promotoria de infância e juventude. Em seguida, eles ficarão sob a responsabilidade da Fundação da Criança e Adolescente do Pará (Funcap).

As prisões e apreensões foram possíveis a partir do mandado judicial expedido ainda no início da tarde de ontem pelo juiz Heyder Tavares da Silva Ferreira. Junto ao mandado de prisão temporária por 30 dias para os adultos e de apreensão dos adolescentes, também foram expedidos mandados de busca e apreensão em todas as casas. Os policiais apreenderam vários materiais na casa de todos os acusados, como algemas de brinquedo, máscaras de monstro, aparelhos celulares, agendas, computadores, cartas, documentos e até um filhote de bode de pelúcia, que pode ter relação com os supostos rituais satânicos praticados.

Suspeitos provaram, mas não tomaram sangue

Durante a apresentação, diante do delegado Neyvaldo Costa, diretor de polícia especializada da Polícia Civil, Nancy contou detalhes de como a adolescente foi morta no cemitério. Embora não estivesse lá - o ato foi feito pelos outros três acusados -, ela participou da reunião de planejamento e ficou sabendo de tudo que ocorreu depois. Segundo Nancy, a vítima foi cortada no pescoço com lajotas soltas e foi espancada na cabeça com uma cruz, ambos os objetos retirados de sepulturas do Cemitério do Bengui. De acordo com ela, ninguém chegou a beber o sangue da adolescente morta porque acreditavam que, por ela ser usuária de drogas, o seu sangue tinha gosto ruim. "Eles chegaram a lamber o sangue, mas acharam o gosto ruim e não beberam o sangue dela", disse Nancy, fazendo o gesto da lambida. Ezequiel já havia negado todas as acusações mas, ao ver sua namorada confessar e o acusar, limitou-se a dizer que só falaria na presença de seu advogado.

Cautela - O delegado Neyvaldo diz haver certeza quanto à participação do quarteto no crime. Contudo, embora admita que a execução teve peculiaridades que podem ser de um ritual de vampirismo ou satânico, se mostra cauteloso em relação aos sinais de magia negra praticada no crime. "Vamos esperar os laudos do IML para podermos confirmar se houve mesmo vampirismo. Devem sair na sexta-feira", diz. O que as investigações já mostraram é que a vítima foi atraída pela adolescente, com quem queria ter relacionamento, a ir ao cemitério para ter relações sexuais, e lá foi assassinada pelo trio. A motivação do crime ainda não está totalmente clara, mas a suspeita é que tenha a ver com a aversão de Ezequiel a homossexuais. "Não tenho ódio (de homossexuais), mas não gosto. Prefiro não andar com gays se não vão achar que eu sou também porque quem se mete com porco, farelo come", confessou o acusado, após ser preso.

Blogueiro ajudou a desvendar o crime

As investigações comandadas pelo titular da Divisão de Homicídios, delegado Eduardo Rollo, apontam que Ezequiel Abreu Calado, de 19 anos, de apelido "Bloody" (Sanguinário), junto com um casal de adolescentes, de 15 e 16 anos, teria participado do ritual, que incluiu mordida no braço da vítima, pancada na cabeça com uma cruz e a tentativa de beber o sangue da menina. A gravação de uma conversa entre Ezequiel, que é o líder de um grupo gótico paraense, o "Dark", e o dono de um blog sobre o tema, que mora em Porto Alegre (RS) e terá a identidade preservada, foi peça-chave para desvendar o crime. Os três suspeitos de autoria do homicídio e mais a jovem Nancy Danielly da Silva Amorim, de 19 anos, que também teria tido participação no crime, foram apanhados na tarde de ontem pela polícia.

A gravação teria sido feita na última segunda-feira,16, pelo blogueiro gaúcho. A conversa entre ele e Ezequiel foi pela internet, via Skype, e o gaúcho utilizou caixas de som que foram aproximadas do computador para fazer a gravação. Durante o bate-papo, que dura cerca de 12 minutos, o líder do grupo gótico "Dark", de Belém, conta com detalhes como ele e os outros dois adolescentes mataram a adolescente (ver páginas 46 e 47 desta edição). Demonstrando frieza e nenhum sentimento de arrependimento, Ezequiel afirma que "foi fácil" matar a jovem e que a mordeu no braço e desferiu um soco na testa dela, que chegou a deixar sua mão inchada. Além disso, ri ao contar que desferiu um golpe na cabeça dela, usando uma cruz. Ao final da gravação, o jovem também ameaça matar a diretora Ângela Pantoja, da escola em que estuda (Escola Maria Luiza Nunes, no Bengui), e outros dois jovens.

Corpo foi encontrado no dia 21 de julho

O corpo da adolescente de 16 anos foi encontrado dentro de uma cova, no cemitério do Bengui no dia 21 de julho deste ano. Laudo do Instituto Médico Legal comprovou que ela morreu por asfixia mecânica, estrangulamento. Outra certeza dos peritos responsáveis pelo caso é que a moça foi morta dentro do cemitério do Bengui, onde foi encontrada, em vez de ter sido levada para lá já sem vida. A asfixia mecânica foi feita em cima da lápide; de lá, ela foi arrastada e jogada em uma cova. Isso quer dizer que todos os golpes que desfiguraram o rosto da vítima não a mataram: ou foram dados depois, já sem vida; ou foram insuficientes para o óbito.

No dia em que o corpo foi encontrado no cemitério, os peritos recolheram do local duas pulseiras e um cordão. Além disso, colheram amostras do cabelo da moça e do cabelo que ela segurava em uma das mãos. Um exame vai atestar se é dela mesma ou de outra pessoa.

De acordo com a Polícia Civil e com parentes, no dia 20 de julho, a garota havia saído de casa por volta das 19 horas, para ir a um culto da Igreja do Evangelho Quadrangular, no Bengui. Após a reunião, ela foi só até a casa da prima, no mesmo bairro, e de lá iria para a casa de uma colega. No meio do caminho, contudo, a adolescente desapareceu.

Grupo reuniria pelo menos sete membros

De acordo com o delegado Eduardo Rollo, levantamentos policiais apontam que pelo menos sete jovens teriam envolvimento direto com o grupo. Todos andam vestidos de roupas pretas e usam os cabelos bem pretos, com uma pequena mecha loira (ou branca), em cima da testa. "Até para a escola, na qual existe uniforme, eles vão vestidos de preto. Mas, na última quarta-feira, 10, a diretora os proibiu de ir vestidos de preto", disse o delegado, que tem tido contato direto com a escola e comunidade.

Segundo o delegado Neyvaldo Costa, titular da Diretoria de Polícia Especializada (DPE), a polícia já havia ouvido os quatro suspeitos em depoimento porque eles haviam sido vistos em companhia da vítima, no dia em que ela desapareceu de casa (20 de julho deste ano). Mas, na ocasião, teriam negado qualquer envolvimento com o fato. "Eles criaram um álibi entre eles, alegando que estavam em outros locais, no dia e hora em que a adolescente foi executada no cemitério do Bengui", disse o delegado. "Por essa razão, estávamos intensificando as investigações até conseguirmos indícios e provas para pedirmos a prisão preventiva dos suspeitos", explicou o delegado, que com a gravação feita pelo blogueiro gaúcho, juntou aos depoimentos e demais indícios que já havia colhido, e solicitou a prisão temporária dos acusados, o que foi conseguido, por volta das 14 horas de ontem.

As investigações foram iniciadas pela equipe policial da Delegacia do Bengui. Porém, em função dos desdobramentos e da gravidade, o caso foi encaminhado para a Divisão de Homicídios. A partir daí, o delegado Eduardo Rollo e sua equipe reiniciaram as investigações, praticamente do zero. "Inicialmente, trabalhávamos com duas linhas de investigação: crime passional e relação com o tráfico de drogas. Mas, depois, fomos avançando e descobrindo a relação com esse grupo gótico", disse o delegado, se referindo a todas as nuances de relação do crime com vampirismo, magia negra e bruxaria.

Cartas revelam ligação amorosa entre acusada e assassinada

Além da gravação, que possui um diálogo de horror, que fala em matar pessoas em rituais de vampirismo e feitiços, o delegado Eduardo Rollo também possui, no inquérito policial, o depoimento de uma adolescente que teria participado de uma reunião do grupo gótico paraense que planejou o crime. No depoimento, a testemunha conta com detalhes como tudo foi planejado e a motivação do crime. De acordo com ela, a vítima teria sido morta porque seria homossexual e estaria apaixonada ou mesmo tendo um relacionamento amoroso com a adolescente, de 16 anos, apreendida ontem pela polícia. Ocorre que a menina apanhada pela polícia é ex-namorada de Ezequiel, o que teria despertado a ira dele e do grupo, que resolveu executá-la. A vítima teria enviado várias cartas de amor à adolescente apreendida, declarando que ela era "o seu amor, a sua vida". As cartas, que eram enviadas quase diariamente, foram apreendidas pela polícia.

Bebê - O trecho mais assustador do depoimento da testemunha revela que o adolescente de 15 anos apreendido ontem teria ameaçado beber o sangue do irmão da adolescente de 16 anos (também apreendida), um menino de menos de 1 ano de idade. Em determinado trecho do depoimento, a testemunha conta à polícia que o adolescente teria dito que "ia beber seu (do bebê) sangue porque o sangue de criança é melhor e é puro". A declaração atribuída ao adolescente apreendido teria a intenção de ameaçá-la a fazer parte do grupo gótico.

Colaboração -O delegado Eduardo Rollo destacou que as investigações foram feitas com o máximo de sigilo e que ele e sua equipe passaram todos os dias - desde a ocorrência do crime - indo até o Bengui para colher mais informações. Por essa razão, quando os jornais Amazônia e O LIBERAL" tomaram conhecimento do caso, através de um telefonema do blogueiro, na última sexta-feira, 13, o delegado solicitou sigilo das informações até que a polícia conseguisse mandados judiciais contra os principais acusados.

Internauta conta que paraenses diziam ser vampiros de verdade

O jovem gaúcho que fez a gravação de diálogo com Ezequiel pela internet ligou para a redação dos jornais Amazônia e O LIBERAL na última sexta-feira, 13, e contou que havia recebido em seu blog, depoimentos de três jovens paraenses, que se intitulavam "vampiros reais". Ele contou que participava de um jogo de RPG, cujo tema era "Vampiros: a máscara do Brasil", que reunia apenas gaúchos, até que os paraenses entraram. "Eles me chamaram a atenção porque eram de outro Estado e não falavam coisa com coisa, dizendo que eram vampiros de verdade, falando coisas de satanismo", disse o jovem.

Aparentando estar assustado com os relatos, o blogueiro disse que, inicialmente, fez amizade com os três. Eles trocaram endereços de Msn e Orkut e conversaram várias vezes pelo Skype. Em todos esses meios eletrônicos, os jovens teriam contado, com detalhes, como haviam matado a adolescente no cemitério do Bengui. "Eu disse que eles estavam mentindo, que não eram vampiros de verdade, então, eles me contaram essa história para tentar me provar", destacou.

O jogador de RPG, acabou se tornando a peça-chave para desvendar o crime, ao gravar, no dia 16, a conversa com Ezequiel, líder do grupo e um dos presos . A gravação foi enviada por e-mail e, segundo ele, estaria na íntegra. Parte do diálogo está sendo publicado nas páginas 46 e 47 desta edição.

A gravação também foi encaminhada, no mesmo dia, à polícia e ajudou os policiais a conseguir que a justiça expedisse os mandados de prisão temporária contra os suspeitos. A polícia, agora pedirá a prisão preventiva dos acusados, que estão detidos à disposição da Justiça.